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A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou nesta terça-feira (17/3) que pessoas com sintomas do novo coronavírus não devem usar ibuprofeno.

Um artigo publicado pela revista científica The Lancet, divulgado no dia 11 de março, revelou que três estudos feitos em doentes infectados com o novo coronavírus evidenciaram que a classe de anti-inflamatórios não esteroides (conhecidos como AINE’s) aumenta a expressão de enzimas conversoras de angiotensina 2 (ACE2), receptores que existem em células epiteliais dos pulmões, intestinos, rins e vasos sanguíneos, e aos quais o SARS-CoV-2 se liga para infectar o organismo humano.

Outro fato apresentado pelos autores do artigo é que o uso de medicamentos da classe AINE, como iboprufeno, e medicamentos à base de cortisona podem afetar a capacidade de reação do sistema imunitário, responsável por combater o vírus do coronavírus.

De acordo com os mesmos estudos, a gravidade da infeção também pode ser influenciada pelo uso de substâncias ou a ingestão de medicamentos para combater a diabetes mellitus tipo 2, cuja substância ativa são as tiazolidinedionas (TZD’s), que também aumentam a expressão dos receptores ACE2 e facilitam a infecção pelo novo coronavírus no organismo humano.

Os investigadores responsáveis pelos estudos apontam ainda que, caso a influência do ACE2 seja confirmada, será gerado um conflito devido à influência que os medicamentos possuem nos tratamentos para reduzir inflamação e em terapias para curar doenças respiratórias, câncer, diabetes e hipertensão.

A possível relação entre o uso do Ibuprofeno e a piora dos quadros de infeções por coronavírus será avaliada na União Europeia através Comitê de Avaliação de Risco de Farmacovigilância da Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

É esperado que a análise, que deverá ser concluída em maio de 2020, permita esclarecer se existe uma associação entre o uso de ibuprofeno e a piora das infeções por Coronavírus COVID-19. A OMS ainda não se pronunciou sobre o tema.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) publicou uma nota de esclarecimento no dia 13 de março com a seguinte orientação.

"Em vistas ao conhecimento do envolvimento da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA-2) na fisiopatologia da infecção pelo coronavírus, especula-se que a modulação dessa via poderia ser uma alternativa a ser explorada no manejo desses pacientes. A utilização de fármacos como os inibidores de enzima conversora de angiotensina (iECA) e os bloqueadores de receptores de angiotensina (BRA), assim como o uso de tiazolidinodionas e de ibuprofeno resultam em elevação dos níveis da ECA-2. Os dados disponíveis até o momento alertam que os pacientes infectados com o novo coronavírus que tenham diabetes ou hipertensão ou insuficiência cardíaca e estejam em uso de iECA ou BRA devam ser acompanhados adequadamente. Em não havendo evidências definitivas a respeito da associação entre o uso desses fármacos e maior risco da doença, a SBC recomenda a avaliação individualizada do paciente em relação ao risco cardiovascular da suspensão dos fármacos versus o risco potencial de complicações da doença."

Para ler o informativo completo acesse http://www.cardiol.br/sbcinforma/2020/20200313-comunicado-coronavirus.html

Os tratamentos com medicamentos à base de corticoides devem ser abandonados?
As recomendações dos pneumologistas da Associação Francesa de Asma & Alergias é que a população em geral deve evitar esse tipo de tratamento, mas negam que os medicamentos à base de cortisona devam ser evitados para reduzir o risco de uma infecção grave por coronavírus "no caso de pacientes asmáticos, isso deve ser relativizado".  

"O controle adequado dos sintomas limita os riscos de um ataque inflamatório de asma em caso de infecção viral", explicam os especialistas "é muito importante não interromper o tratamento da asma".

No entanto, "o controle adequado dos sintomas limita os riscos de um ataque inflamatório de asma em caso de infecção viral", explicam os especialistas.

Por esse motivo, "é muito importante não interromper o tratamento da asma".

Fonte: Pfarma