Imagem retirada de https://panoramafarmaceutico.com.br/2019/08/14/consultas-publicas-sobre-cannabis-medicinal-terminam-no-dia-19/
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Terminam na próxima segunda-feira, 19 de agosto, as consultas públicas 655 e  654, da Anvisa, sobre a regulamentação do cultivo da maconha para fins medicinais e científicos no Brasil. Trata-se de um mercado com potencial para alcançar quase US$ 5 bilhões no país, o equivalente a 6,3% do total do faturamento da indústria farmacêutica brasileira, de acordo com levantamento da New Frontier Data em parceria com a startup brasileira The Green Hub.

A estimativa mundial é movimentar US$ 32 bilhões até 2022. Segundo a Anvisa, desde a abertura das consultas, cerca de 20 empresas, a maioria proveniente do Canadá, Estados Unidos, Israel, Austrália e Uruguai, manifestaram interesse no cultivo da erva no país, seja instalando plantas fabris ou por meio de parceiros locais. Por questões de sigilo, o nome das empresas não pode ser divulgado. Em junho, a companhia canadense Canopy Growth  anunciou o investimento de R$ 60 milhões no Brasil, por meio da  Spectrum Therapeutics, sua marca global para pesquisa, operações na área médica e distribuição de produtos medicinais derivados da cannabis.

O presidente da Anvisa, William Dibb, estima que até 13 milhões de brasileiros, com diferentes doenças, podem se beneficiar da maconha medicinal, apesar das posições contrárias do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da cidadania Osmar Terra, que prometeu fechar a agência caso o plantio da cannabis seja aprovado. Terra defende o uso do canabidiol sintético e reuniu-se em julho com o presidente da Prati-Donaduzzi, Eder Fernando Maffissoni.

A farmacêutica paranaense está em fase final dos testes do Myalo, medicamento produzido a partir do extrato purificado da planta, indicado para controle de crises de epilepsia refratária. A pesquisa está sendo produzida em parceria com o Hospital das Clínicas da USP, no campus de Ribeirão Preto, e a previsão é que o medicamento esteja disponível no mercado no início de 2020. O ministro nega que esteja defendendo a empresa.

Nos últimos quatro anos, a demanda pelos remédios feitos com canabidiol cresceu em 700%, acumulando centenas de pedidos de importação na fila de requerimentos à agência. De acordo com a Anvisa, o total de pacientes cadastrados pulou de 826 em 2015 para 1.730 até o momento. Em 2018, o primeiro medicamento à base de canabinoides passou a ser comercializado no Brasil pela francesa Ipsen, com o nome de Mevatyl. A fabricação é da inglesa GW Pharmaceuticals. Desde então, mais de 78 mil unidades foram importadas pelo país.

Fonte: Redação Panorama Farmacêutico